O Povoamento da Itália

A Itália se localiza ao ocidente da Grécia, na península Apenina, que, avançando pelo mar Mediterrâneo, divide-o em dois: Mediterrâneo Ocidental e Oriental.

Geograficamente, a Itália divide-se em quatro regiões bem delimitadas, no extremo norte, uma região montanhosa, entrecortada de rios, a planície do Pó, ao longo do caudaloso rio Pó, a região Apenina, a costa litorânea dos mares Adriático e Tirreno.

O solo dessa península era mais fértil do que o solo grego, o que tornou possível o atendimento das necessidades alimentares dos romanos dentro da própria Itália.

O processo de povoamento da península Itálica foi bastante complexo, distinguindo-se vários povos que ali se estabeleceram em diferentes épocas.

De acordo com pesquisas arqueológicas, pode-se estabelecer um povoamento anterior ao dos povos de origem indo-européia, cujos representantes, já nos tempos históricos, seriam os sicanos, da Sicília, os lígures, do noroeste e os messápios e iapígios, do sul.

Os grupos de origem indo-européia teriam chegado à Itália por volta de 2200 antes de Cristo, tendo os povos denominados itálicos ou italiotas ocupado o centro-sul da península, e os séculos, a Sicilía.

Os dois principais subgrupos dos itálicos eram os samnitas e os latinos.

Os samnitas habitavam a parte sul da Itália, próximo às colônias fundadas pelos gregos a partir de sua expansão, entre os séculos VIII e VI antes de Cristo.

Os samnitas, organizados em clãs pastoris, que se reuniam em tribos, viviam em constante luta contra os gregos, na disputa pela riquíssima região da Campânia.

Essas disputas e, conseqüentemente, os contatos com o mundo grego, levaram ao desenvolvimento do seu poderio bélico, à fortificação de cidades, à conquista de colônias gregas e à expulsão dos etruscos.

Os latinos habitavam a parte inferior do rio tibre, região que jamais foi conquistada pelos etruscos ou pelos gregos.

Seus maiores adversários eram os volscos, tribo montanhesa que habitava os contrafortes dos Apeninos, entre o Lácio e a Campânia, e que vivia essencialmente do pastoreio.

Nas montanhas habitavam também os équos e sabinos, tribos que viviam do pastoreio e do saque, também subgrupos dos itálicos.

A expansão da colonização grega no sul da Itália, região conhecida como Magna Grécia, provocou atritos com os fenícios, que povoavam a Sicília, e seus aliados, os etruscos, no mar Tirreno.

O etrusco, outro povo que colonizou a Itália, é de origem até hoje desconhecida, seu território inicial estava localizado entre o mar Tirreno, a oeste, e os montes Apepinos, a leste, entre o rio Arno, ao norte, e o Timbre, ao sul.

Existem pesquisadores que os consideram autóctones e outros que os consideram oriundos da Ásia Menor.

O que se sabe é que sua língua não é de origem indo-européia, apresentando apenas algumas afinidades com a língua falada pelos habitantes da ilha egéia de Lemnos, na fase anterior à conquista ateniense.

Já por volta do século VII antes de Cristo, os etruscos estavam organizados em um império que constituía, na prática, uma liga de várias cidades-estados.

Se ocupavam da agricultura, do pastoreio, do trabalho manufaturado e do comércio, que não podia ser separado da pirataria.

Eram comerciantes ativos no mar Mediterrâneo, aliados à cidade fenícia de Cartago.

Seus produtos metalúrgicos e têxteis chegavam a todo o Oriente e a todo o Mundo Grego por intermédio dos cartagineses e dos colonos gregos.

O povoamento da Itália se completou com a chegada dos gauleses, no início do século IV antes de Cristo, que se estabeleceram ao norte, no vale do rio Pó (Gália Cisalpina).