Afinal? Quem é Gênio?

Quem é gênio? Como é que a seleção natural pode explicar um Shakespeare, um Mozart, um Einstein, um Abdul-Jabbar?.

Como é que Jane Austen, Vincent van Gogh ou Thelonius Monk teriam ganho a vida na savana do Plistoceno?.

A verdade é que todos nós somos criativos, cada vez que colocamos um objeto conveniente sob o pé de uma mesa que balança ou que pensamos num jeito novo de subornar uma criança para que ela vista o pijama, usamos nossas faculdades para criar um resultado singular.

Mas os gênios mais criativos se tornam destaques não só por suas obras extraordinárias, mas também por seu modo extraordinário de trabalhar; não é sequer imaginado que eles pensem exatamente como você e eu.

Mas, eles ultrapassam e desafiam a sabedoria convencional, trabalham quando bate a inspiração e fervilham com insight enquanto o resto de nós caminha arduamente com passos de bebê pelas mesmas trilhas por muitas vezes.

Os gênios deixam de lado um problema que fica incubando no subconsciente, então, sem aviso, uma luz se acende e uma solução totalmente formada se apresenta, o gênio nos deixa obras-primas, uma história de criatividade sem repressão do inconsciente.

A imagem ficou evidente no movimento romântico há mais de duzentos anos e hoje se continua do mesmo jeito, e tem o mesmo significado.

Consultores de criatividade cobram milhões de dólares das empresas por workshops sobre brainstorming, raciocínio lateral e fluxo do lado certo do cérebro, com resultados garantidos na transformação de cada administrador em um inventor de sucesso.

Criaram teorias elaboradas para explicar o incrível poder do inconsciente sonhador para resolver problemas.

Como Alfred Russel Wallace, alguns concluíram que não pode haver uma explicação natural, fala-se que os manuscritos de Mozart não têm correções, talvez seja porque as melodias devem ter saído da mente de Deus, que escolheu expressar sua voz por intermédio de Mozart.

É uma pena que as pessoas criativas estejam no auge da criatividade quando escrevem sua autobiografia, historiadores vasculharam os diários, cadernos, manuscritos e correspondência dessas pessoas em busca de sinais do evidente temperamental acometido periodicamente por raios do inconsciente.

Infelizmente, descobriram que o gênio criativo está mais para Salieri do que para Amadeus, os gênios são trabalhadores, o gênio típico trabalha arduamente por no mínimo dez anos antes de dar alguma contribuição de valor permanente.

Mozart compôs sinfonias aos oito anos, mas elas não eram realmente boas, sua primeira obra-prima surgiu no décimo segundo ano de sua carreira, e é durante o aprendizado que os gênios mergulham em sua área de atuação.

Absorvem dezenas de milhares de problemas e soluções, e assim nenhum desafio é completamente novo e eles podem recorrer a um vasto repertório de padrões e estratégias.

Eles mantêm um olho na concorrência e um dedo ao vento, e são perspicazes ou afortunados em sua escolha de problemas, os desafortunados, por mais talento que possuam, não são lembrados como gênios.

Atentam para a estima dos outros e para seu lugar na história, eles trabalham noite e dia e nos deixam muitas obras de sub-gênios, os intervalos que passam afastados de um problema são úteis não porque fermentam o inconsciente, mas porque eles estão exaustos e precisam de descanso, e possivelmente para que possam esquecer os becos sem saída.

Eles não reprimem um problema, mas dedicam-se a uma preocupação criativa, e a epifania não é um golpe de mestre, mas um leve ajuste em algo já tentado antes.

Eles fazem incessantes revisões, aproximando-se gradualmente de seu ideal, os gênios, obviamente, também podem ter recebido quatro ases na cartada genética.

Mas eles não são anomalias com mentes totalmente diferentes das nossas ou diferentes de qualquer coisa que possamos imaginar evoluindo em uma espécie que sempre viveu de sua inteligência.

O gênio cria boas idéias porque todos nós criamos boas idéias, é para isso que serve nossa mente adaptada.

Bibliografia: Livro Como a mente funciona, cujo autor é Steven Pinker.
Texto adaptado por Piava Branca.