Até os Ratos Ajudam

Dos males, o menor: um grupo de cientistas nos Estados Unidos descobriu uma maneira de reduzir os danos causados por um ataque cardíaco, mas, por enquanto, o esquema de proteção só foi testado com sucesso em ratos.

“Ainda não fizemos testes com humanos, e esperamos apoio de alguma empresa do ramo farmacêutico para fazer mais testes clínicos”, disse em entrevista a israelense Daria Mochly-Rosen, da Universidade Stanford, nos EUA, ela é a autora principal do estudo publicado numa das edições do periódico científico “Science”.

A pesquisa foi realizada em duas etapas, na primeira etapa os cientistas tiveram que identificar uma determinada substância presente no organismo que tivesse uma relação mais ou menos direta com a quantidade de danos causados no coração por isquemias, são as condições que envolvem a restrição da circulação sangüínea.

Eles descobriram que havia uma correlação bem forte entre a presença de uma proteína, chamada ALDH-2, e a redução de danos ao coração, a partir daí, o desafio passou a ser descobrir uma outra substância que, ao ser introduzida no organismo, fosse capaz de ampliar a produção da ALDH-2.

Atualmente, como não há meio de só olhar a estrutura da proteína em questão e adivinhar que substância aumentaria sua produção, a coisa tem que ser meio na base de tentativa e erro.

E põe tentativa e erro nisso, “testamos perto de 120 mil compostos”, revelou Mochly-Rosen, “mas tudo foi feito com a ajuda de um robô, por isso foi um processo bem rápido, foram apenas três semanas”.

A tal substância, que eles chamam de Alda-1, mostrou grandes resultados em ratos.

Administrada antes da isquemia (induzida pelos cientistas), ela reduziu em 60% o tamanho do infarto sofrido pelo animal, ou seja, a droga se mostrou eficiente para proteger o coração de problemas maiores.

Por enquanto o teste da substância foi feito na tentativa de prever danos causados por um acidente vascular prestes a ocorrer.

“Claro que na maioria dos casos nós não sabemos quando uma pessoa vai ter um ataque cardíaco, então para esses casos não há como administrar a droga antes”, disse Mochly-Rosen, “mas em outras circunstâncias, como com pessoas que estão prestes a passar por uma cirurgia de ponte de safena, a Alda-1 pode funcionar”.

Além disso, os cientistas agora querem testar os efeitos da mesma droga não como prevenção, mas como tratamento, a idéia é ver se a substância consegue reduzir os danos causados por isquemias, mesmo depois que elas já ocorreram.

É a ciência em busca de soluções de problemas que o homem causa a ele mesmo.