Bombona e Água Mineral

Em primeiro lugar, tenho consciência de que às vezes é melhor ficar quieto, e agir como se fosse aleijado, surdo e mudo, pois exposto comercialmente como estou, tudo o que falo, toda opinião emitida sobre qualquer assunto parece ter como objetivo a propaganda.

No que diz respeito a validade da bombona, sob meu ponto de vista, a nova lei que determina o prazo de validade de três anos para as embalagens de água de 20 litros é falha e tem objetivo apenas comercial, tanto é verdade que está causando divergências entre as empresas distribuidoras de água no País e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

Não existe estudo que comprove que a utilização do recipiente mais velho ou mais novo cause algum tipo de doença, o Departamento Nacional de Produção Mineral fez uma análise de 2002 a 2007 e o resultado obtido mostrou que nenhum recipiente de 20 litros apresentou problema de qualidade, portanto, a desculpa que o objetivo é garantir a qualidade da água e favorecer o consumidor cai por terra.

Se o compromisso é zelar para que a população consuma água mineral sem qualquer risco à saúde e dentro dos mais elevados padrões de qualidade, quero perguntar aos fiscais da vigilância sanitária do Brasil inteiro, principalmente aos fiscais de Itajaí, quem de vocês vai fiscalizar o cidadão que vai buscar água na bica ou na cachoeira? E pior ainda com bombona vencida, ou seja, usando uma bombona fora da validade, se é devido a qualidade do vasilhame, trata-se de um problema de saúde pública, não é não?

Não há como fiscalizar o cidadão que vai buscar água na bica ou na cachoeira deve ser a resposta, então eu concluo que não se trata de um problema de saúde pública, e que as condições do recipiente é dever do comerciante apresentar um vasilhame esteticamente aceitável, e se o consumidor não estiver satisfeito com a estética do vasilhame, deve solicitar ao entregador a troca do mesmo no ato da entrega.

O que não pode acontecer é o revendedor ficar trocando vasilhames a torto e direito, uma vez que a demanda aumentou em virtude apenas do desejo da troca da bombona, além disso, se for para o comerciante “bancar a bombona” para o cliente, é melhor encerrar suas atividades, afinal de contas, levar uma água de R$ 5,00 e deixar uma bombona de R$ 15,00 nem o pior comerciante acha interessante.

Mas, então quem paga pela bombona? É quem estiver com ela, mas se o consumidor comprou de um determinado comércio e ele agora não aceita mais a mesma bombona? É encrenca com clientes na certa, e poucos aceitam a situação como ela é.

O que muitos revendedores e muitos consumidores não sabem, é que desde 2008, uma portaria do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) determina que estes vasilhames devem ser descartados após três anos de uso, e é preciso destacar que a data de validade da bombona não é a mesma data da validade da água que está no recipiente, em outras palavras é o governante entrando dentro da casa do contribuinte e dizendo qual o tipo de vasilhame que ele pode ou não pode utilizar, e a bombona adquirida com seu suor virou lixo, mas não diria que é o fim da picada, pois coisa pior ainda pode acontecer.

A data de fabricação da bombona é encontrada no fundo do vasilhame e, em algumas embalagens mais novas, há também ao lado, próximo ao rótulo do fabricante, a data de vencimento.

Nem todos os vasilhames têm data de validade especificada, mas todas têm a data de fabricação, pelo menos o mês e ano, e, a partir dessa informação, pode-se calcular o prazo para vencimento, a data de validade da água pode ser conferida na tampa que lacra o vasilhame.

O melhor fiscal é o consumidor, que deve verificar o produto na hora da compra e informar quando há irregularidades, mas existe um problema grave, como é que uma dona de casa confere a validade de uma bombona cheia? Especialistas “burraldos” acharam por bem informar a validade ou data de fabricação no fundo da bombona, eu sugiro que seja em algum local na parte lateral da bombona.

A qualidade da bombona nada tem a ver com a qualidade da água, é uma questão puramente estética, mas a Lei foi feita para ferrar muitos e beneficiar alguns, o problema com qualidade da água acontece quando a água fica armazenada de forma indevida, como por exemplo, com as bombonas expostas ao sol, nesse caso pode haver a proliferação de bactérias como os coliformes fecais, coliformes totais e bactérias heterotróficas, mas uma bombona de 15 anos não vai causar problemas com a qualidade da água, mesmo porque, antes de envasar, passa por um rígido processo de limpeza.

Quando a água mineral é armazenada de forma indevida, existem bactérias que se proliferam e podem causar pequenos transtornos de saúde como dor de cabeça, dor de barriga e diarréia, mesmo assim, a quantidade de bactérias é suficiente apenas para causar um mal estar leve, nada muito grave.

Também podem existir problemas com a qualidade da água envasada, estes sim, podem ser problemas mais sérios, inclusive com a contaminação por hepatite, mas isso só acontece se não for atestada a qualidade da água envasada, problemas desse tipo acontecem porque “algumas empresas” envasam água da torneira e/ou da cachoeira ou da bica e vendem como se fosse água mineral.

Acho que sei sobre este assunto o suficiente para continuar no mercado, vou as trocar bombonas de clientes até o limite de 500 bombonas, mais que isso não, o meu comércio foi o primeiro a ser fiscalizado em Itajaí, está 100% dentro das exigências sanitárias e tem prova da procedência de produtos (NF), o mesmo não acontece em muitos mercados onde a água é colocada diretamente no chão dando condição até de rato urinar na bombona, mas como a Lei é diferente para alguns, principalmente se existirem conhecidos dentro dos órgãos fiscalizadores, então para uns exigências e mais exigências, e para outros, tolerância total.