Sobre Cartão de Crédito

Segundo os órgãos de defesa do consumidor diferenciar preços em função da forma de pagamento é proibido, para o consumidor é ótimo, mas para os comerciantes pode até causar prejuízos.

Tendo como base o Código de Defesa do Consumidor “o pagamento com dinheiro, cheque ou cartão deve ser considerado da mesma forma por parte dos comerciantes”.

A opinião (e exigência) dos consumidores em geral tem que ser observada, essa é a prática regulamentada do setor e respaldada pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Na visão do comerciante o cartão de crédito é um péssimo negócio, para o consumidor a ótica é outra, é prático, tem prazo e tem benefícios indiretos, por isso parece uma ótima ideia.

Mas para o comerciante talvez essa não seja a melhor escolha a fazer, e para quem não sabe, no contrato firmado entre comerciantes e administradoras de cartão de crédito possui uma cláusula que obriga o estabelecimento a não diferenciar preços para o pagamento em dinheiro e através do cartão de crédito, quem descumprir, realiza prática abusiva.

Portanto, oferecer preços diferentes em função da escolha do meio de pagamento é proibido, mas o comerciante pode optar por não trabalhar com cartões, mas tem que deixar as informações visíveis para o cliente que entrar na loja, é o direito à informação prévia que tem como finalidade evitar constrangimentos.

A maioria dos consumidores sabe que as máquinas de cartão representam custos para os lojistas, mas há comerciantes que fazem abordagem contando vantagem, procurando convencer os clientes.

A verdade é bem outra, pois oferecer a possibilidade de pagamento com o cartão de crédito aumenta consideravelmente o faturamento e, com ele, os lucros e a clientela.

Para o consumidor existem alguns atrativos em usar o cartão de crédito: a praticidade, a segurança e os benefícios para clientes com fidelidade.

Se bem usado o cartão de crédito pode ser uma ferramenta de pagamento bem interessante, mas é preciso ficar atento ao fato do cartão ter juros bem mais altos do que outras formas de pagamentos, tanto à vista, quanto parcelado, é bom lembrar que um mês de juros no cartão de crédito é equivalente a dois anos dos juros da caderneta de poupança.

Outro fato que é negado, mas é real, é que ao atrasar o pagamento, um empréstimo é feito automaticamente em nome do titular do cartão de crédito com a instituição financeira, e os juros são praticamente o dobro dos juros praticados nos empréstimos que são feitos espontaneamente.

Para o comerciante, resta distribuir o valor do aluguel da máquina numa previsão de vendas mensais, e incluir no mínimo 5% nas mercadorias referente a taxa da operadora do cartão, e esperar de 30 a 37 dias para cair o valor na conta, ou pagar mais 2% em média e ter o valor creditado em 3 dias.

E daí vem o PROCON dizer que não pode ter preços diferentes para modalidades diferentes de pagamento, então o comerciante tem duas opções: ou se previne colocando um preço mais alto e pune o consumidor que paga à vista em dinheiro ou toma prejuízo quando vende e recebe na modalidade cartão de crédito.

Para quem não entende como funciona, vou citar um exemplo e provar que não há como vender pelo mesmo preço com pagamento em dinheiro e com cartão de crédito.

Uma loja com faturamento de R$ 15.000,00 mensais paga R$ 150,00 de aluguel de uma máquina, isso parece pouco, acrescenta 5% de cada venda, no caso são R$ 750,00, então temos: R$ 750,00 + R$ 150,00 = R$ 900,00.

Alguém tem que custear esses R$ 900,00, e no final das contas é o consumidor quem paga, então porque não diferenciar os preços em função da modalidade de pagamento e dar opção de pagar menos se pago em dinheiro?

Afinal, “o direito à informação prévia que tem como finalidade evitar constrangimentos” e é citado no Código de Defesa do Consumidor deveria ser mais bem utilizado, um aviso com X% de desconto para pagamento em dinheiro é perfeitamente legal, porque fazer as coisas mais difíceis do que já são?