Epidemia de Dengue

A dengue já é uma epidemia em Itajaí, estamos em meados de março e já passam de 600 casos confirmados, e existem próximo de 200 casos esperando pelo resultado, com certeza 50 casos a mais serão confirmados nesse lote de 200 sendo investigados.

Dias atrás a Câmara de Vereadores de Itajaí aprovou uma lei polêmica cuja finalidade é multar quem colocar entulhos nas calçadas, parece o óbvio, mas as coisas não são simples, pois existem “casos e casos”.

Há pelo menos 10 anos a prefeitura de Itajaí deveria estar se movimentando no sentido de facilitar o descarte de material indesejável, mas nada foi feito e nada é feito.

O poder público municipal prova sua e falta de capacidade para o assunto, alguns “especialistas” entendem que é multando o contribuinte que as coisas serão resolvidas, a verdade é que descarte de lixo e entulhos é algo cultural, o contribuinte tem deveres, mas também têm direitos.

Sob meu ponto de vista, pelo menos 80% dos entulhos dispensados em terrenos baldios não iriam parar nesses locais se nos bairros tivesse um ou dois locais onde fosse permitido o descarte ali e dali a prefeitura daria destino final aos entulhos.

No bairro Cidade Nova, por exemplo, moram mais de 30.000 pessoas, então penso que dois locais seria o ideal, afinal, é preciso facilitar para então exigir alguma coisa.

É preciso ter em mente que a maioria desses que descartam entulhos e lixo de todo tipo nem sempre são porcos por natureza, é que não há condição de transportar o material indesejável para um local apropriado, e apesar de pagar taxa de lixo, o poder público não fornece condições apropriadas para o descarte, então o contribuinte, descarta no local mais próximo.

Por outro lado, multar o dono de um terreno porque tem entulhos ou lixo depositados ali por terceiros é de uma burrice do tamanho de um elefante, obviamente que ele deveria manter o terreno cercado e limpo, mas quantas vezes as cercas são quebradas para depositar porcarias no local?

 

O poder público precisa é dar condições para a população descartar corretamente seu material indesejável, e a partir daí sim, cobrar, exigir e se não for atendida, em último caso aplicar multa, mas do jeito que está, é mais uma indústria de multas criada em Itajaí.

Numa abordagem um fiscal vai “mandar” que o lixo seja retirado de um determinado local, o abordado irá perguntar: “onde devo colocar esse lixo?”, a resposta deve ser mais ou menos assim: “Na frente do galpão da prefeitura no bairro São João”, se fosse comigo mandaria esse fiscal levar e papo final.

Já que colocam essas caçambas de ferro no meio de vias públicas, que por sinal, causam riscos aos usuários, porque não colocam essas caçambas em locais estratégicos e orientam a população a descartar nelas seus entulhos?

Finalmente, pense que o poder público só pode exigir alguma coisa da população quando der condições para a população fazer as coisas direito, enquanto isso afirmo que a prefeitura de Itajaí não tem moral e nem ética para exigir nada de nenhum contribuinte, pode ter o direito legal definido por 21 vereadores, apenas isso.

Para completar, essa imagem é de um terreno na Avenida Ministro Luiz Gallotti, 996, alguém discorda que se prefeitura tivesse competência esse terrenos estaria desse jeito?

Será que se eu jogar lixo nesse terreno a prefeitura vai multar o(a) dona(a) e assim a gente consegue descobrir para poder exigir que o mato seja cortado?

Se alguém vier a ter algum problema com animais peçonhentos, ratos ou outros répteis que transmitem doenças, devem procurar o dono do terreno ou a prefeitura para ser ressarcido dos prejuízos e receber uma indenização por problemas causados?

Quaisquer que sejam as respostas, sempre o poder público será responsabilizado, pelo simples fato de ser o responsável por manter as coisas em ordem, não adianta culpar só o dono do terreno ou quem descarta lixo, o poder público tem que fazer a sua parte, que é mediar os conflitos, se o dono do terreno não o limpa, não é o vizinho que tem que limpar e muito menos sujar, mas a prefeitura tem que fiscalizar, mais que um dever é um direito da população.

 

Terreno 996