O Aborto Expontâneo

São numerosas as causas ditas naturais do abortamento, uma delas é a implantação do óvulo fecundado em pontos anormais do corpo da mulher.

É o que ocorre na gravidez tubária, ovariana, abdominal e cervical.

No primeiro caso, o óvulo é implantado na trompa, no segundo, dentro de uma pequena cavidade do ovário, no terceiro, na cavidade peritoneal, no último, no canal cervical.

É muito rara a implantação ocorrer inicialmente na cavidade peritoneal, mais é comum verificar uma implantação original tubária seguida por uma ruptura de tecido e posterior implantação abdominal.

O abortamento espontâneo pode decorrer também de fatores genéticos, sua influência foi comprovada mediante estudos cromossômicos de tecidos embrionários, que indicaram alterações incompatíveis com o desenvolvimento intra-uterino normal.

Tais fatores podem ser transmitidos quer pelo pai quer pela mãe e podem explicar casos do chamado aborto habitual, caracterizado pela ocorrência de três ou mais abortamentos espontâneos consecutivos em uma mulher.

Os principais sintomas do abortamento espontâneo são dores no baixo ventre e perda de sangue.

As dores são causadas pelas contrações com que o organismo tenta expulsar o óvulo, no fim do processo, as dores tornam-se cólicas bem fortes.

A intensidade da hemorragia depende da extensão da superfície de descolamento provocado na parede do útero.

A morte do feto pode ser causada igualmente por doenças infecciosas contraídas pela mãe, caso típico é o da rubéola, que aumenta as probabilidades de abortamento espontâneo e pode causar malformações congênitas na criança.

É por essa razão que alguns médicos recomendam o abortamento provocado quando a gestante contrai rubéola.

Fatores químicos também podem causar ou contribuir para o abortamento espontâneo, as substâncias químicas ingeridas pela mãe, seja com medicamentos ou sob outras formas, podem passar para o feto através da placenta.

Algumas dessas substâncias causam malformações ou morte do feto, um exemplo dramático foi o de uma droga hipnótica muito usada na década de 1960 (talidomida), se tomada pela mãe no início da gravidez, podia causar focomelia e outras malformações.

A focomelia é o desenvolvimento defeituoso dos braços ou pernas, ou ambos, de modo que pés e mãos ficam ligados ao corpo da criança, lembrando barbatanas de foca.

Outro risco reside nas radiações, inclusive os raios X, que podem causar morte ou alterações do feto.

Embora não haja registro de abortamentos resultantes do uso dos raios X como instrumento de diagnóstico, seus efeitos nocivos potenciais contribuem para explicar a rápida popularização da ultra-sonografia.

Essa técnica permite formar imagens do interior do corpo com o emprego de sons com freqüência superior a vinte mil hertz (20 KHz).

São relativamente raros os casos constatados de abortamento em conseqüência de acidentes, como quedas, que provoquem traumatismos.

O corpo da mulher protege muito bem o feto contra choques e são comuns os casos de crianças que nascem ilesas de mães que foram vítimas de acidentes graves durante a gravidez.