Portas Giratórias

Sabe aquele momento que você chega à porta de uma casa lotérica que está ali para lhe prestar um serviço, que por sinal, não é de graça, pois todos pagam por isso mesmo que indiretamente, mas está sujeito a ser constrangido publicamente mesmo sendo inocente.

Obviamente que assim como os bancos, nenhuma casa lotérica trabalha de graça, pois já tem custos embutidos, caso contrário não faria nenhum sentido qualquer empreendimento desse tipo.

Ocorre que a segurança também faz parte do negócio, também está embutido na planilha de custos, sendo assim todos deveriam ser beneficiados, tanto o empreendedor quanto os clientes.

Mas ao entrar numa casa lotérica ou num banco geralmente existe uma porta giratória cuja função principal é detectar se o cliente está armado ou não, mas o sistema não consegue detectar se a arma que ele traz é o dinheiro que vai servir de mercadoria para o banco ou uma arma para usar no assalto ao banco.

Ficando a dúvida se é uma arma que vai ser usada para ameaçar o gerente ou funcionário do estabelecimento é certo que haverá constrangimento, pior que isso, haverá dificuldade e até impossibilidade.

Agora imagine uma pessoa idosa, com muletas e próteses metálicas, imagine uma pessoa com peso bem acima do normal, será que uma pessoa com essas características tem condições de assaltar alguém ou algum banco?

Não é que eu não goste de portas giratórias, o que não gosto é dos constrangimentos que esse equipamento faz as pessoas passar, então procurei conhecer mais sobre o funcionamento, que é magnético e automático, ou pelo menos é o que dizem, mas não é bem assim.

Aqui no bairro Cidade Nova tem uma casa lotérica, todo estabelecimento comercial tem regras a serem cumpridas, para começar, não tem nem banheiro para os clientes, na verdade não sei se a lei municipal permite um estabelecimento comercial sem banheiro e se há um tempo máximo de espera.

O fato é que o estabelecimento desrespeita os clientes que entram no estabelecimento, logo que cheguei na porta fiquei observando e a cada 10 pessoas que tentaram entrar 9 foram barrados na primeira tentativa.

Já evitando passar por constrangimentos, nenhum deles tinha moedas no bolso, também não tinham celulares e nem objetos metálicos, mesmo assim a porta não permitia a passagem na primeira tentativa, a minha esposa tinha uma chave na mão, também não passou, mas depois de me entregar a chave ainda tentou duas vezes até conseguir.

Os fatos deixavam mais do que claro que nada ali era automático, claro que vi que tinha duas câmeras na parte externa da casa lotérica, tirei o celular do bolso e comecei a filmar.

Como num passe de mágica, a porta giratória mudou de comportamento, como mostra o vídeo abaixo, somente a primeira senhora que aparece na filmagem fez duas tentativas sem sucesso, a partir de então, todos passavam sem problemas, ficando claro que a porta é controlada por um sistema nada automático.

Existe sim uma pessoa com controle na mão e julga premeditadamente se a pessoa (cliente) é ou não uma pessoa idônea, se assim não fosse o comportamento da porta giratória em questão não mudaria de comportamento.

É aceitável e necessário que os bancos e similares precisam ter segurança, mas não pode ser algo discriminatório, além da prepotência de vigilantes que quando aparecem agem como se fossem rinocerontes.

Cabe à empresa prover a segurança para o consumidor entrar e sair ileso do local, e não importa se é uma loja, supermercado, casa lotérica, banco e até no ponto ônibus, a integridade física, material e patrimonial deve ser garantida, mas reze para não precisar exigir esses direitos.

Entre os direitos está também o direito de não ser constrangido, de chamar a atenção sobre si mesmo, é justamente ao contrário quando a porta giratória impede o acesso sem motivo.

Enquanto as pessoas insistirem em ir às casas lotéricas e bancos pagar suas contas, nada vai mudar, é preciso ignorá-las e fazer com que esse tipo de estabelecimento sinta saudades das pessoas, e não as pessoas fazendo filas e sendo humilhadas para serem atendidas.