Uma Estrada Sem Outra Igual

No início dos anos 80 trabalhei numa madeireira da grande Florianópolis e minha função como motorista  era transportar madeira (em tora) de Bom Jardim da Serra para São José.

Naquele tempo a Serra do Rio do Rastro tinha uma estrada das mais perigosas que podia existir, além da estrada ruim tinha o risco dos caminhões em más condições, eram FNMs (fiat) com freios ruins (controlados a cuícas) controlados por diafragmas que não raro deixava os caminhões sem freios.

Por isso era rotina de todo motorista verificar os freios e pneus antes de começar a descida da Serra, claro que se benzer e pedir a proteção de Deus não podia ser esquecido, porque era uma aventura com muita adrenalina e muita responsabilidade.

São muitas as histórias de motoristas que perderam suas vidas em acidentes por descuidos banais, mas que eram de fundamental importância a atenção, descer engrenado na primeira marcha sem e trocar de marcha durante a descida sempre foi minha prioridade.

Colegas da época relatavam que numa troca, se a marcha não entrasse havia duas escolhas, o barranco ou o a ribanceira.

Havia dois detalhes fundamentais antes de começar a descer a Serra: se tivesse chovido ou a previsão de uma trovoada, se esperava a trovada passar e secar a estrada, também se observava para que nenhum carro estivesse subindo a serra, pois eram raros os pontos onde se encontravam dois carros, e quem estivesse subindo tinha que voltar, pois ao contrário era impossível.

Atualmente a estrada da Serra do Rio do Rastro é um dos maiores pontos turísticos de Santa Catarina, e vem turista de toda parte do Brasil e até de outros países para ver a estrada que é praticamente em forma de S, e com certeza é uma das estradas que causam mais espanto e surpresa para quem nunca viu.

A beleza da natureza e assistir o espetáculo arrepiante que é estar no meio de uma trovoada no alto dessa Serra é algo que não tem descrição, é de perder o fôlego e a voz.