Você Gosta de Flanelinha?

Quantas vezes você procurou um lugar para estacionar e do nada aparece um “cidadão” pronto para lhe ajudar? Esse “cidadão” é prestativo, ajuda a estacionar, vai passar uma “flanela” no vidro do carro e vai cuidar do seu veículo enquanto você vai fazer o que pretendia fazer, tudo está certo até o momento em que você olha com aquele olhar de reprovação.

Se você ao voltar não “pagar” pelos cuidados do “cidadão” que cuidou do seu e de mais trinta veículos, na próxima vez, pode ter certeza que seu veículo irá marcado para casa.

Esse “cidadão” ao qual me refiro é o “tal do flanelinha” que aparece do nada e vem de onde a gente não sabe, e somos “obrigados” a confiar a ele nosso veículo e, e justamente para um “cidadão” sem nome, sem endereço e muitas vezes sem índole, a única referência que temos dele é a descrição dele e o local de “trabalho” dele. 

Em algumas cidades, assim como aqui em Itajaí, eles circulam livres e impunes extorquindo qualquer cidadão que quer apenas estacionar o seu veículo, não sei se estou certo, mas acho que quem gosta de flanelinha é apenas a mãe dele, isso se ela não tiver carro.

Ao estacionar, o flanelinha faz com que o motorista sinta toda a sua falta de capacidade até para estacionar o seu próprio veículo, ele parece um boneco de posto acenando e dando ordem para o motorista virar o volante, e se não bastasse, diz até onde pode ser dado marcha ré, provavelmente ele pensa que está ajudando, mas na verdade esse tipo de atitude é extremamente irritante, além de tudo, é bem provável que ele nem CNH tenha.

O que o flanelinha é muito eficiente justamente ocupando o local onde o veículo vai ser estacionado, se ele sair da frente da vaga, com certeza o estacionamento será feito com mais calma e precisão, e sem a ajuda dele.

Aquele crachá de “sócio do sindicato” impresso em papel rascunho com resto de tinta reciclada vale muito menos que minha primeira carteira de motorista (1982), e estou me lixando para um sindicato desses, o advogado deve ter o mesmo nível do flanelinha.

Depois de humilhar e dar ordens, a gente é chamado de Doutor, e lá vem a pergunta, digo, o golpe: “posso olhar dotô?”, talvez nem pergunte e diga: “pode dexá, tô dando uma olhada”, não é irritante? Parece um penetra de festa.

Pensando bem, seria melhor dizer que pode olhar a vontade, mas não encoste e nem chegue a distância menor que dois metros, pensando melhor, é melhor aceitar o “auxílio” ou existirão conseqüências.

A verdade é que mesmo o estacionamento sendo público, é só chegar próximo de uma vaga e já começa o assédio do flanelinha, um dos métodos que ele usa é segurar o espelho retrovisor, como se esse ato me impedisse de acelerar.

Quero deixar claro que fiz todos os testes e estou devidamente habilitado para dirigir desde 1982, minha categoria é A2D, fiz até aquele famoso teste de parar o ônibus no meio da subida de morro empinado sem deixar o ônibus voltar de ré, e fiz também o teste da baliza, além disso, os “malditos” tapas na lataria avisando que estou estacionado é irritante e desnecessário.

E na hora de pegar meu carro é outra discussão, ou seja, “o valor do serviço(?)”, então devo pagar para um desocupado por não fazer absolutamente nada?.

A verdade é que o dinheiro é meu, se eu quiser dar alguma coisa, quem decide o valor sou eu, e dou se eu quiser e se eu achar justo, é preciso ficar claro que estacionamento público não é restaurante e dinheiro para flanelinha não é taxa de 10%.

Não chegando a um acordo surgem as ameaças, mas deixo claro que não tenho medo de ameaças e nem de cara feia, minha opinião e atitude é não dar esmola e nem dar alimento, cachaça ou droga para vagabundo, além disso, remédio para doido é um mais doido ainda.

E para terminar, não sou doutor em nada, nunca fiz doutorado, o único diploma que tenho é o da faculdade do dia-a-dia, não sou amigo de flanelinha, não sou brother de flanelinha, não sou colega, não sou chapa, não sou tio e nem sou legal, só tenho três irmãos que, graças a Deus não são flanelinhas, eles trabalham de carteira assinada e cumprem horário, portanto, não quero intimidades com flanelinhas, e os quero eles bem longe de mim e do meu carro.

E tudo isso acontece porque o poder público simplesmente não existe, se a assistência social fizesse o seu trabalho de “dar trabalho” esses caras não estariam por aí, e chamar a polícia e prende-los não vai resolver o problema, que é social, mas eu não tenho culpa.