A Carta Contraditória

Caro papai, ontem fez uma bela noite, o sol brilhava entre as trevas, e eu, sentado em uma pedra de pau, à sombra de uma árvore sem troncos nem galhos, escutava atentamente um mudo falando consigo aos companheiros:

– Prefiro mil vezes a morte à vida.

Ao longe, próximo dali, havia um bosque sem árvores, os pássaros saltavam de galho em galho, e os elefantes descansavam à sombra de um pé de couve.

Corri devagar em direção à minha casa, e entrei pela porta dos fundos que fica na frente.

Como já era cedo, deitei o casaco na cama e me pendurei no cabide, onde, após dormir um bom sono, sonhei que estava acordado.

Aí, dei marcha a ré e rumei para o banheiro, onde me serviram o jantar, depois de ter comido o guardanapo, limpei a boca com o bife, olhei para o lado e vi um cego lendo um jornal religioso sem letras, que dizia: “Os quatro evangelistas são três: Esão e Jacu.”

Era meia noite e o sol raiava, as andorinhas pastavam, enquanto as vacas pulavam de galho em galho, um velho ancião, de apenas 14 anos, sentado em pé, numa pedra arredondada com quatro quinas, calado, assim dizia: “Os quatro maiores profetas eram 3: Abraão e Jeremias!”